Direita amazonense aposta em Maria do Carmo, mas articulação interna ainda é teste para 2026

A pouco dias do início oficial da campanha eleitoral, a pré-candidatura da Professora Maria do Carmo (PL) ao Governo do Amazonas consolidou-se como o principal projeto da direita no estado, mas o processo de unificação de lideranças locais segue sendo o maior desafio da caminhada rumo às eleições de 2026.

Liderança nas pesquisas

Levantamentos divulgados nos últimos meses mostram trajetória de crescimento da pré-candidata. A pesquisa do Instituto Veritá, registrada no TRE-AM, apontou Maria do Carmo saindo de 24,3% das intenções de voto em março para 44,6% em maio — um avanço de mais de 20 pontos percentuais em três meses. Levantamento mais recente do mesmo instituto, realizado no início de julho, mantém a professora na primeira colocação e à frente tanto do senador Omar Aziz (PSD) quanto do ex-prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), em simulações de segundo turno.

A candidatura também recebeu respaldo público de nomes de peso do PL nacional, como o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, e o senador Flávio Bolsonaro, além do endosso do ex-presidente Jair Bolsonaro, que oficializou apoio à professora ainda em 2025.

O nó das lideranças locais

Apesar do cenário favorável nas urnas, bastidores da própria legenda revelam que nem todo o campo conservador amazonense está automaticamente alinhado ao redor do nome de Maria do Carmo. Reportagens publicadas por veículos locais nos últimos meses mostraram rumores de conversas entre o presidente estadual do PL, Alfredo Nascimento, e o grupo do prefeito David Almeida — negados publicamente por Nascimento, que reafirmou o caráter irreversível da pré-candidatura.

Mais recentemente, o partido também precisou lidar com sinais de desconforto interno. O deputado estadual Cabo Maciel evitou declarar apoio explícito à pré-candidata ao comentar as articulações para 2026, e ao menos duas lideranças municipais — uma em Parintins e outra em Itacoatiara — deixaram o grupo político da professora para se aproximar de outros nomes do cenário estadual. Diante do episódio, a direção do PL Amazonas chegou a divulgar nota assinada pela própria pré-candidata avisando que recorreria a mecanismos internos do partido para conter divergências entre filiados.

Força nacional, articulação regional

O quadro reflete um padrão comum a candidaturas que crescem rapidamente nas pesquisas antes de terem tempo de consolidar a máquina partidária no interior: o apoio de cúpula nacional é sólido, mas a capilaridade municipal — decisiva para votos no segundo turno — ainda está em construção. Analistas locais têm apontado que o principal ponto de atenção da pré-campanha é justamente transformar o capital político vindo de Brasília em mobilização efetiva nas bases do interior do estado.

Ainda assim, Maria do Carmo tem descartado publicamente qualquer hipótese de desistência e mantido agenda intensa pelo interior amazonense, buscando ampliar a presença fora da capital antes do início oficial da propaganda eleitoral.

O que está em jogo

Se confirmada a liderança nas pesquisas até outubro de 2026, Maria do Carmo pode se tornar a primeira mulher eleita governadora do Amazonas. Mas o desfecho da disputa também vai depender de quanto a direita amazonense conseguir resolver suas tensões internas antes da convenção partidária — marcada para agosto — e transformar a vantagem nas pesquisas em uma coligação ampla e coesa capaz de sustentar a candidatura até o segundo turno.

Dados de pesquisas eleitorais citados neste texto têm como fonte institutos registrados no TRE-AM e no TSE. Este artigo tem caráter informativo e não reflete posicionamento editorial sobre os candidatos citados.

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