Manaus sufocada: Fumaça no céu e asfixia na política

Por Roberto Rivelino

Na capital que concentra mais da metade dos eleitores do Amazonas, o ar pesado também representa o cansaço de uma população cercada por problemas antigos.

Manaus amanheceu sufocada. O céu perdeu o azul, a fumaça encobriu a cidade e respirar virou motivo de preocupação. Em várias áreas da capital, a qualidade do ar atingiu níveis alarmantes.

Não foi um caso isolado. Nos últimos dias, a fumaça voltou a fazer parte da paisagem de Manaus. O problema pode ter origem em queimadas na Região Metropolitana, no interior do Amazonas e até em outros estados. Mas não se pode permitir que o vento leve embora também a responsabilidade dos governantes.

Todos os anos é a mesma história. Chega o período de estiagem, aumentam as queimadas, a fumaça invade a cidade e as autoridades dizem que estão monitorando. Mas monitorar quando a população já está respirando ar contaminado não é prevenção. É uma reação atrasada.

Estamos no coração da maior floresta tropical do planeta. Mesmo assim, faltam políticas ambientais efetivas, fiscalização permanente, brigadas preparadas e ações integradas entre os governos federal, estadual e municipal. Sobram discursos. Faltam resultados.

E é exatamente nesse ponto que a fumaça encontra a política.

O céu cinzento de Manaus também retrata o ambiente político do Amazonas. São os mesmos grupos, os mesmos acordos e as mesmas promessas recicladas. Trocam-se as alianças, as cores e os slogans. Os problemas, porém, continuam no mesmo lugar.

O eleitor está cansado. Cansado da saúde que não funciona, da insegurança, dos buracos, da falta de saneamento, do transporte precário e da ausência de planejamento. Está tão sufocado pelos problemas que chega a faltar o ar.

Manaus concentra a maioria dos votos do Amazonas. A capital respira grande parte da fumaça, mas também possui força eleitoral suficiente para mudar os rumos do estado.

Neste período eleitoral, o cidadão precisa olhar além das propagandas e fazer algumas perguntas: quem já teve oportunidade de resolver e não resolveu? Quem possui um projeto verdadeiro para o Amazonas? E quem aparece novamente prometendo combater problemas que ajudou a deixar crescer?

A fumaça poderá desaparecer quando o vento mudar. A asfixia política, entretanto, só terminará quando o eleitor decidir mudar a direção do voto.

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