Governo Bolsonaro poderia ter evitado a crise do oxigênio em Manaus que ceifou dezenas de vidas durante a Pandemia
Nesta última quarta-feira (14/01), a cidade de Manaus lembrou de um dos momentos mais tensos e trágicos de sua história. No dia 14 de janeiro de 2021, a cidade enfrentou o colapso da falta de oxigênio durante o período mais crítico da Pandemia do COVID-19.
Muitas pessoas que estavam sofrendo durante a chamada segunda onda do COVID-19, acabaram perdendo sua vida por conta exclusivamente da falta do insumo hospitalar, ou seja, oxigênio e acabaram morrendo por asfixia mecânica. O oxigênio usado nos hospitais do estado era fornecido pelas empresas White Martins, Carbox e Nitron, com produção total de 28,2 mil metros cúbicos diários. O déficit foi de 48,3 mil metros cúbicos.
Com todas as unidades hospitalares da capital, atendendo com a sua capacidade máxima e tendo muitos unidades fechando suas portas por não conseguir atender a demanda, os estoques se esgotando, unidades de saúde passaram a reportar que não tinham mais oxigênio suficiente para atender todos os pacientes.
Familiares de pessoas internadas formaram longas filas em frente a fornecedores privados na tentativa de comprar cilindros, enquanto hospitais apelavam por ajuda. O Serviço de Pronto Atendimento (SPA) do Alvorada fechou as portas após atingir a capacidade de atendimento.
Cinco anos se passaram dessa tragédia, e o Ministério Público Federal (MPF) afirmou, que a gestão do então presidente Jair Bolsonaro (PL) teve conhecimento prévio sobre o risco de falta de oxigênio no Amazonas 17 dias antes do colapso que atingiu Manaus.
Em coletiva de imprensa realizada em Manaus, o procurador Igor Jordão Alves, do MPF no Amazonas, afirmou que relatórios da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) indicam que o governo federal foi informado já em 28 de dezembro de 2020 sobre estoques críticos de oxigênio capazes de comprometer o atendimento hospitalar.
“Os relatórios da [Associação Brasileira de Inteligência] ABIN revelam que desde 28 de dezembro de 2020 havia déficit crônico de oxigênio na rede medicinal, expondo gargalos que aumentavam diariamente e impediam a salvação de vidas. Em 4 de janeiro de 2021, houve o envio de uma comitiva do Ministério da Saúde para Manaus, alertando sobre o colapso iminente da rede pública”, disse o procurador.
Durante aquele período, a situação chegou a ser agravada a ponto de artistas, influenciadores e até o governo da Venezuela enviarem oxigênio para a capital amazonense, diante da escassez nos hospitais. O governo federal só enviou oxigênio de forma mais consistente após o colapso e optou inicialmente por transporte pela BR-319, o que atrasou ainda mais a entrega em Manaus.
As investigações do MPF apontam que pelo menos 60 pessoas morreram diretamente devido à falta de oxigênio em Manaus após o início do colapso em 14 de janeiro de 2021, quando a demanda por cilindros superou em muito a capacidade de produção e entrega local.
Na época, denúncias e reportagens também apontaram que alertas sobre a possível falta do insumo haviam sido feitos dias antes ao Ministério da Saúde, sob comando do então ministro Eduardo Pazuello, mas que medidas preventivas não foram adotadas a tempo para evitar a crise sanitária.
O MPF argumenta que os alertas da Abin e outros registros indicam que o déficit de oxigênio era conhecido e se estendia antes mesmo do dia em que o sistema entrou em colapso, o que, na avaliação dos investigadores, evidencia que a crise poderia ter sido evitada com ações antecipadas das autoridades competentes.












