David Almeida esconde na campanha caso de “rachadinha” do irmão

CMM

O candidato a prefeito de Manaus pelo Avante, David Almeida, escondeu de seus eleitores, durante a campanha eleitoral, que seu irmão, Daniel Almeida é investigado pelo Ministério Público do Estado (MP-AM) em inquérito sobre “rachadinha” no gabinete do então vereador Walfran Torres (PTN), em 2016.

Rachadinha” é o nome popular dado para “desvio de salário de assessor”. Na prática, trata-se de uma transferência de parte ou de todo salário do servidor para o parlamentar ou terceiros. A operação é muito similar ao que conhecemos como o uso de “funcionários fantasmas”. Nesse caso, a pessoa nomeada para exercer o cargo público não é uma funcionária de fato, ou seja, o salário do cargo é transferido para o agente do esquema.

O caso foi publicado no jornal A Crítica, que informou à época que o vereador Walfran Torres manteve em seu gabinete uma assessora por quase dois anos com indícios de fazer o papel de “laranja”, que chegou a receber pagamentos mensais de mais de R$ 6 mil.

Logo no segundo mês após a nomeação, a servidora Rosa Maria dos Santos, que era analfabeta e foi contratada com a verba de gabinete, assinou uma procuração dando plenos poderes para Daniel Almeida abrir uma conta corrente, solicitar cartão magnético e movimentar valores.

Segundo a folha de pagamento nominal dos servidores da Câmara, segundo o jornal, Daniel Almeida, beneficiário da procuração, também foi assessor da Casa, entre fevereiro de 2013 e maio de 2015. Na época, seu irmão, David Almeida, era líder do governo de José Melo na Assembleia Legislativa do Estado (ALE).

Só em 2015, segundo declaração de rendimentos expedida pela Câmara , a assessora parlamentar analfabeta recebeu cerca de R$ 72,7 mil. Somando todo o período em que ela recebeu salário do gabinete de Walfran Torres a remuneração alcançou R$ 132,6 mil.

Procurado pela reportagem, à época, David Almeida confirmou seu parentesco com Daniel Almeida, mas disse que não sabia nada sobre o esquema de “rachadinha” envolvendo seu irmão, na Câmara.

Em junho de 2017, o Ministério Público do Estado (MP-AM) instaurou o Inquérito Civil n° 033.2017.0020 (antigo 8204/2016) – 79ª PRODEPPP em face de Rosa Maria Ferreira da Silva Santos, do ex-vereador Walfran Torres e de Daniel Djuda Pereira de Almeida para apurar a contratação da servidora Rosa Maria Ferreira da Silva Santos, supostamente analfabeta, pelo ex vereador da Câmara Municipal de Manaus, Walfran Torres, com indícios de que atuasse como “laranja”, repassando as verbas salariais a Daniel Djuda Pereira de Almeida.

Na Portaria de instauração do inquérito, o promotor de Justiça Ronaldo Andrade a notícia publicada no Jornal A Crítica no dia 03/12/2016, que relata a contratação de servidora analfabeta, com indícios de que atuasse como “laranja”, repassando as verbas salariais a terceiros, com subsídio mensal acima de R$ 6 mil e que os valores eram repassados e movimentados por Daniel Almeida, também servidor da Câmara.

Superfaturamento

Daniel Almeida foi gravado xingando e pressionando a doutora em administração pública e diretora do Instituto Gente Amazônica  (Igam), Maria de Nazaré Lima Menezes, após ela denunciar superfaturamento em contratos de cirurgias no governo interino de David Almeida.

Daniel ligou para Maria para tirar satisfações. Revoltada, a administradora rebateu e disse que não poderia compactuar com superfaturamento. Ao fim do áudio, Daniel Almeida se revela, maltratando a mulher com palavrões e ofensas morais.

Maria realizou a denúncia formalmente ao Ministério Público Federal e Tribunal de Contas, com todos os documentos e uma vasta e comprometedora quantidade de gravações.