MP precisa investigar denúncias de corrupção envolvendo David e Nicolau

As acusações mútuas – de corrupção e tráfico de influência entre os dois candidatos a prefeito de Manaus –  adequam-se a fatos que impõem a atuação das autoridades competentes.

Não é pertinente indagar onde está o Ministério Público, órgão da lei e fiscal de sua execução?

O interesse do Ministério Público, no caso, deve ir além da matéria criminal, sendo relevante para a instituição a análise de ser aplicada não somente a lei eleitoral, mas a lei de improbidade administrativa contra os dois candidatos, pois  a acusação de que Ricardo Nicolau ingressou no hospital de campanha com intenção de fazer propaganda, fere os princípios que norteiam a administração pública, cujo dever de zelo pelo interesse público transmudou-se para o particular.

David Almeida disse que Ricardo Nicolau provocou constrangimento ao secretário de saúde de seu governo interino  ao mandar que contratasse empresa que superfaturava preço de serviços.

A acusação feita por Ricardo Nicolau de que Almeida “superfaturou cirurgias , superfaturou exames de colonoscopia e ionização, são exemplos de fatos que exigem a intervenção do Ministério Público para averiguar ou aditar o exame de novos fatos que estejam sendo apurados.

E, o mais relevante, é que  a atenção do Ministério Público precisa partir de uma constatação, que ficou muito clara durante o debate de anteontem:  as acusações, recíprocas, revelam a comunhão de tempo, lugar, modo de execução e autoria dentro de um período no qual os atuais candidatos detinham cargos de relevância no Estado do Amazonas: Almeida foi levado ao Executivo para administrar o Estado como governador, pois era o sucessor legal,  na qualidade de Presidente da Assembleia Legislativa. Ricardo Nicolau, deputado, presidente da Comissão de Saúde da Assembleia, foi chamado pelo então governador Almeida para “dar uma contribuição”  ao seu governo.

Nessas circunstâncias, Almeida foi, no mínimo, irresponsável. Ambos transgrediram  todos os princípios de probidade com a Administração Pública.

Essa circunstância de tempo, lugar, de fatos, de autoria, merece ficar melhor esclarecida, pois se não há concurso de autoria haverá, no mínimo, conexão pela omissão de um ou de outro,  que dos fatos sabia e nada fez. Ou Almeida  acabou, como esbravejou Nicolau, “superfaturando preço de  exames”.

David Almeida era o gestor da coisa pública, que afirma ter sido sucateada,  se não por conivência, mas ao  que parece,  com  sua omissão.

Importa averiguar, também,  essa aparente ausência de probidade.

O vídeo acima, com conversa  entre uma empresária e o irmão de David Almeida, comprovaria a acusação de Nicolau, de que houve superfaturamento de cirurgias e exames no governo do agora candidato.

Com informações de Revista Cenarium