Portal apaga notícias de candidato e escancara apoio nas eleições 2020

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O jornal A Crítica, do Grupo Calderaro de Comunicação, que lançou e apoiou Wilson Lima (PSC) ao governo do Estado, tirou de seu site e escondeu todas as matérias que publicou, desde 2018, sobre o escândalo bilionário que marcou a gestão interina de David Almeida como governador, o chamado ‘Caso Ezo’, que envolve o maior valor já noticiado na história do Amazonas. A medida mostra que o grupo empresarial que elegeu Wilson Lima tem interesses na eleição de  David Almeida para prefeito  de Manaus.

O governo David Almeida, via Superintendência de Habitação (Suhab), fez um contrato sem licitação, que renderia R$ 5 bilhões a Ezo Soluções Interativas Ltda, para recuperação de R$ 27 bilhões de valores do Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS), que nunca chegaram aos cofres do Estado. E mais R$ 200 milhões de “taxa de sucesso” ao advogado José Júlio César Corrêa, ex-dirigente da Suhab nomeado por David Almeida e seu amigo pessoal. O caso continua na Justiça e foi alvo da Operação Bilhete Premiado,  do Ministério Público, em julho deste ano.

O negócio, segundo matéria pública por A Crítica, na época (já retirada do seu site), teve início no gabinete do então governador David Almeida. O pagamento só não foi realizado porque a Justiça interferiu a pedido da gestão do sucessor, Amazonino Mendes. A Caixa Econômica Federal, administradora do Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS), assegurou, em documento oficial datado de 23 de maio, que não identificou nenhum “direito creditório” em favor da Ezo.

Crítica, esclareceu que pleitos como o da Ezo, mesmo registrados em cartório, “não encontram respaldo na legislação e não geram vínculo jurídico com a União”. “Os documentos dos órgãos oficiais indicam que o contrato feito pela gestão David Almeida tinha um único objetivo de aplicar um golpe nas contas do Estado”, informou o jornal, em 2018. A matéria foi tirada do site neste domingo.

David Almeida informou, à época, que o contrato era de total responsabilidade dos ex-gestores da Suhab e que nunca negociou com a Ezo Soluções. O advogado José Júlio César Corrêa disse que foi contratado pela Ezo Soluções, recebendo remuneração correspondente. “Como a empresa me pagou e quanto me pagou é um problema pessoal e fiscal meu”, afirmou o advogado. Paulo Ciccarini, dono da Ezo Soluções Interativas, sustentou que o contrato foi legal.

Operação

A Operação Bilhete Premiado foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público Estadual, com o apoio da Polícia Civil.

O promotor de Justiça Reinaldo Nery revelou que a investigação encontrou indícios dos crimes de tráfico de influência, fraude e dispensa indevida de licitações na contratação da Ezo. Os alvos da operação foram os ex-diretores da Suhab na gestão de David Almeida: Nilson Cardoso, Leandro Spener e José Júlio César. As investigações chegaram à conclusão de que eles intervieram para a contratação ilícita da empresa, sem respeitar as regras adotadas pelo Estado (dispensa indevida de licitações) e os trâmites burocráticos do contrato.

A investigação iniciou este ano ouvindo dois dos três ex-diretores. Um quarto envolvido, ainda com nome não revelado, também está implicado na investigação, informou o promotor. “Constatamos uma contratação de patente ilegalidade onde havia o desrespeito às fases procedimentais para dispensa da licitação e, principalmente, um valor que a própria imprensa considerou absurdo como pagamento para uma empresa que não tem como objeto esta finalidade, não deveria ser contratada e o que nós verificamos era um acordo que simplesmente iria premiar um dos investigados. Era uma contratação que não traria nada de resultado positivo para o estado”, declarou o promotor Cláudio Sampaio.