Omar lidera, mas a verdadeira disputa acontece logo atrás

Por Roberto Rivelino

As pesquisas divulgadas até aqui apontam uma tendência relativamente clara na disputa pelo Governo do Amazonas: Omar Aziz segue na liderança. Mas talvez a informação mais importante neste momento não esteja no primeiro lugar. Está logo abaixo dele.

Maria do Carmo, Roberto Cidade e David Almeida travam uma disputa particular pela segunda posição. Os números os mantêm competitivos e, com a campanha ainda por ganhar corpo, a questão deixa de ser apenas quem aparece melhor na fotografia de hoje. O que realmente importa é saber quem tem mais espaço para crescer.

É justamente aí que Maria do Carmo merece atenção. Sua candidatura bebe diretamente de uma fonte eleitoral importante no Amazonas: o eleitor conservador. Parte desse público nem sempre se manifesta com a mesma intensidade nas pesquisas, sobretudo antes de a campanha nacional entrar definitivamente nas ruas. Não é possível falar em “voto oculto” como fato comprovado, mas também seria um erro desprezar a força que uma polarização nacional poderá exercer sobre a eleição estadual.

Maria tem identidade política definida e pode se beneficiar da aproximação com lideranças nacionais da direita. Seu desafio será transformar essa identificação em estrutura eleitoral, principalmente no interior. Uma coisa é despertar simpatia; outra é fazer essa simpatia chegar às urnas nos 62 municípios.

Roberto Cidade enfrenta problema quase inverso. Tem estrutura, articulação política, presença institucional e uma rejeição relativamente baixa. Como governador, ganhou ainda uma vitrine permanente. Mas recebeu junto com ela uma conta que não necessariamente foi produzida por ele.

A saúde talvez seja o exemplo mais delicado

Cidade herdou uma máquina estadual que ainda precisa responder a gargalos percebidos pela população na ponta: consultas, exames, cirurgias e atendimento especializado. É uma espécie de presente de grego político. Herdou o poder, mas também herdou seus problemas. Se conseguir produzir respostas rápidas e perceptíveis, poderá transformar governo em crescimento eleitoral. Se não conseguir, corre o risco de pagar uma conta que começou antes dele.

David Almeida, por sua vez, carrega outro paradoxo. Depois de aproximadamente seis anos administrando Manaus, seria natural imaginar que chegasse à sucessão estadual como franco favorito. Até agora, isso não aconteceu.

David continua competitivo, mas enfrenta rejeição considerável e precisa provar que seu capital eleitoral ultrapassa os limites da capital. Manaus representa enorme parcela do eleitorado, mas eleição para governador exige capilaridade no interior. Alguns municípios da Região Metropolitana podem oferecer terreno conhecido; o desafio verdadeiro começa quando a campanha avança pelo restante do Estado.

E enquanto os três procuram caminhos diferentes para crescer, Omar Aziz ocupa a posição mais confortável.

Sua liderança, especialmente sua força política no interior, oferece vantagem importante. Mas liderança em pesquisa não significa eleição resolvida. Omar precisa administrar sua dianteira enquanto observa três adversários tentando romper seus próprios limites.

Maria precisa transformar conservadorismo em voto e capilaridade. Cidade precisa converter estrutura, governo e baixa rejeição em confiança popular. David precisa transformar sua passagem pela Prefeitura de Manaus em legado reconhecido para todo o Amazonas — e reduzir sua rejeição.

É por isso que talvez estejamos olhando para a eleição pelo ângulo errado.

A fotografia de hoje mostra Omar na frente. O filme da eleição, porém, pode estar acontecendo logo atrás dele.

O segundo turno permanece como o cenário mais provável. Quem estará lá ainda é uma pergunta em aberto.

E é justamente nessa resposta que pode estar a parte mais interessante da eleição amazonense de 2026.

Roberto Rivelino

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