Polícia Federal rastreia fronteiras para saber se Flávio Bolsonaro saiu do país

Site argentino diz que senador teria cruzado a fronteira por terra para embarcar em jato rumo aos EUA

A Polícia Federal verifica desde a madrugada desta terça-feira (27/10) se o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil, menos de 24 horas depois de o ministro Alexandre de Moraes, do STF, proibi-lo de sair do país e mandar recolher seus passaportes.

A verificação começou depois que o portal argentino Infobae publicou, por volta das 2h (horário de Brasília), que Flávio “teria saído” do Brasil. O texto utiliza fontes sem identificação. Segundo o portal, o senador cruzou a fronteira com a carteira de identidade e embarcaria em Puerto Iguazú, na província de Misiones, num jato particular com destino aos Estados Unidos. A decolagem estaria prevista para as 2h, horário local.

A aeronave citada é um Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, registrado desde 2020 em nome da empresa argentina Baires Fly S.A. De acordo com a Infobae, a empresa pediu trâmites de aduana e migração para quatro passageiros e três tripulantes. A reportagem não diz quem seriam os passageiros. Registros públicos de rastreamento mostram que o jato voou de Buenos Aires a Puerto Iguazú, mas não registram decolagem para os EUA.

A PF não encontrou registro de passagem do senador pela fronteira regular com a Argentina. A PF também acionou autoridades argentinas.

Versões desencontradas

Até a publicação desta reportagem, nenhuma autoridade havia confirmado a saída do senador. O porta-voz da Presidência argentina, Fabián Fernández, afirmou à agência Bloomberg que Flávio nunca entrou no país e que nenhuma aeronave com as características descritas pela imprensa argentina decolou rumo aos Estados Unidos. Dados do serviço de rastreamento Flightradar24 consultados pelo UOL mostram que a aeronave citada voou de Buenos Aires para Puerto Iguazú na noite de segunda-feira (26/10), mas não registram decolagem posterior com destino aos Estados Unidos.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha de Flávio, negou a informação. “Não saiu”, disse à coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles. Dois interlocutores que falaram com a segurança de Flávio na manhã desta terça afirmaram à coluna de Lauro Jardim que o senador está em casa.

Outros dois aliados políticos, no entanto, disseram ao SBT News que Flávio atravessou a fronteira com a Argentina e pretendia seguir para os Estados Unidos. Segundo eles, o plano foi montado de última hora e mantido em sigilo, com apenas os dois informados. Pessoas próximas ao senador também afirmaram à emissora que ele se considera alvo de perseguição política desde a derrota e as medidas judiciais que passaram a atingi-lo.

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, ironizou a notícia em mensagem à colunista do UOL Mariana Sanches: “É o Elon Musk que está mandando um foguete”. A assessoria do senador não havia se manifestado até a última atualização.

Passaportes cancelados

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi tomada na noite de domingo (25), logo após a confirmação da derrota de Flávio, e veio a público na segunda. O ministro cancelou todos os passaportes emitidos em nome do senador e determinou que ele entregasse à PF, em até 24 horas, os documentos comum e diplomático, além de eventuais passaportes de outras nacionalidades. Flávio também está proibido de deixar o país e de se comunicar com o advogado Willer Tomaz “por qualquer meio, direto ou por interposta pessoa”. O prazo de entrega vence nesta terça.

Flávio afirma ter sido abordado por agentes da PF na saída da casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar em Brasília. No vídeo, ele classificou a medida como política e disse que a decisão, que está sob sigilo, se baseou em uma fala de Eduardo, feita na sexta-feira (23), de que Flávio deveria deixar o país caso perdesse a eleição. “Eu nunca falei isso”, declarou.

A determinação ocorre no momento em que Flávio, depois de anunciar que pediria a anulação da eleição, recuou e passou a concentrar sua ofensiva em pedidos de cassação da chapa de Lula na Justiça Eleitoral.

Notícias relacionadas

Veja mais em Notícias relacionadas