O problema registrado no SPA São Raimundo, na Zona Oeste de Manaus, vai muito além de um sistema fora do ar. Nesta quarta-feira (2), segundo relato encaminhado à coluna, a internet funcionava, mas o sistema ligado aos prontuários eletrônicos apresentava instabilidade, prejudicando o atendimento. Para quem esperava, a orientação era ter paciência. Só que quem procura um SPA com dor ou precisando de atendimento não quer saber se o problema é sistema, internet ou servidor. Quer ser atendido.
A situação fica ainda pior quando falta controle entre quem aguarda o atendimento normal e quem está de retorno. Pacientes que já passaram pelo médico, tomaram medicação, fizeram exames ou precisam voltar ao consultório acabam dependendo de um fluxo que deveria funcionar mesmo quando a tecnologia falha. Se o sistema cai e ninguém sabe direito quem está esperando o quê, o problema deixa de ser apenas tecnológico. É também de organização e gestão.
Prontuário eletrônico é importante e ninguém discute isso. O absurdo é uma unidade de urgência ficar praticamente refém dele. Onde está o plano B? Como ficam os retornos? Quem controla a fila enquanto o sistema não volta? Saúde pública não pode funcionar na base do “tenha paciência”. Paciência não é protocolo de emergência.
E aqui entra 2026. O Amazonas vai escolher seu próximo governador, e saúde certamente estará novamente nos discursos, programas eleitorais e promessas de campanha. Mas talvez o eleitor devesse fazer perguntas mais simples: quem realmente conhece a situação das unidades? Quem apresenta solução para filas, falta de organização, estrutura, tecnologia e atendimento? E quem estará disposto a cobrar gestão e resultado depois que a eleição passar?
O próximo governador do Amazonas, seja quem for, precisa assumir a saúde como compromisso de verdade, e não apenas como discurso eleitoral. Hospital reformado, equipamento novo e sistema moderno rendem anúncio. Mas, na ponta, o que importa para a população é muito mais simples: chegar doente e encontrar uma unidade organizada, profissionais com condições de trabalhar e atendimento funcionando.
O episódio do SPA São Raimundo deixa um recado que deveria chegar também aos candidatos de 2026: antes das grandes promessas, façam o básico funcionar. O sistema pode cair. O respeito ao paciente, não.