Por Roberto Pontes
Manaus e sua região metropolitana estão sufocadas. A fumaça invade as casas, arde nos olhos, irrita as narinas e a garganta. As mensagens de risco chegam ao celular, avisando sobre a qualidade do ar. Mas a pergunta é inevitável: o que faremos com esse aviso, se precisamos sair para trabalhar, levar os filhos à escola e buscar o sustento da família?
A gravidade tem confirmação oficial. Na noite de 7 de outubro, a Prefeitura de Manaus classificou a qualidade do ar como “muito ruim”. Informou também que a fumaça vinha principalmente de queimadas em municípios do interior. O problema atravessa fronteiras municipais e exige uma resposta à altura.
Alertar é necessário. Mas o aviso precisa vir acompanhado de proteção concreta. Mandar evitar a exposição à fumaça não resolve a situação de quem passa o dia na rua. Como ficam o vendedor ambulante, o entregador, o trabalhador da construção e tantas famílias que não têm condições de se proteger dentro de casa?
A Prefeitura anuncia fiscalização, campanhas educativas e monitoramento com drones. A população tem o direito de cobrar resultados e perguntar: o que os governos municipal, estadual e federal estão fazendo, juntos, em grande escala? Quantas frentes de combate estão mobilizadas? Quais áreas estão sendo atendidas? Que medidas chegam efetivamente às pessoas mais expostas?
Precisamos de combate às queimadas, fiscalização na origem, responsabilização dos infratores e assistência à população. Precisamos saber quem está fazendo o quê, com quais recursos e quais resultados. A fumaça não respeita divisas, e a resposta pública não pode ficar fragmentada entre repartições.
Manaus pede socorro. Respirar não pode virar um privilégio, nem a fumaça pode ser aceita como parte normal da nossa rotina. O alerta já chegou. Agora, a população precisa ver a resposta — e conseguir respirar.