Por Roberto Rivelino
O Supremo Tribunal Federal atravessa uma das maiores crises de credibilidade de sua história. As divergências públicas entre ministros, as decisões contraditórias e os questionamentos envolvendo investigações e autoridades expuseram uma Corte dividida. O problema deixou os gabinetes e passou a atingir a confiança da sociedade na própria República.
É justamente neste momento que o Congresso Nacional deveria cumprir sua responsabilidade. Dentro dele, cabe ao Senado Federal funcionar como contrapeso constitucional, fiscalizando autoridades e impedindo que qualquer instituição se coloque acima da lei. Não se trata de atacar A instituição STF, mas de preservar o equilíbrio entre os Poderes.
A Constituição atribui ao Senado Federal a competência Constitucional para processar e julgar ministros do Supremo nos casos de crime de responsabilidade. Hoje, mais de uma centena de pedidos de impeachment permanece acumulada na Casa. Porque o Presidente do Senado Davi Alcolumbre não pauta esses pedidos, qual é o medo.
Desencalhar esses processos não significa condenar antecipadamente ministros do supremo. Significa examinar os fatos, separar denúncias sérias de acusações políticas e oferecer uma resposta transparente à sociedade. Transformar a gaveta em destino permanente de todos os pedidos é omissão, não prudência.
O grande escândalo talvez esteja justamente aí: a sociedade espera que o Senado Federal responda à crise, mas o próprio Senado já não tem demonstrado autoridade moral para fazê-lo. Depois de anos de silêncio, acordos e conveniências, como poderá cobrar limites do Supremo se abandonou suas próprias responsabilidades? Antes de consertar o desequilíbrio entre os Poderes, o Senado precisaria enfrentar uma autocrítica comcoragem e credibilidade.
Muitos senadores parecem temer ministros que amanhã poderão julgar processos envolvendo seus mandatos, partidos ou aliados. Outros preferem preservar os acordos construídos nos bastidores de Brasília. Forma-se um pacto de conveniência: o Senado não fiscaliza, o Supremo amplia sua influência e o cidadão permanece sem resposta.
Esse silêncio alimenta o ativismo judicial. Quando o Legislativo deixa de legislar e fiscalizar, abre espaço para que o Judiciário ocupe funções que deveriam ser exercidas pelos representantes eleitos. O vazio deixado por um Poder sempre será ocupado por outro.
A sociedade espera uma resposta efetiva, pública e constitucional. Quer saber quantos pedidos foram analisados, quantos foram arquivados com justificativa e quantos continuam parados. Não basta aos senadores discursar sobre democracia enquanto se recusam a exercer as próprias prerrogativas.
Em 2026, dois terços das cadeiras do Senado estarão em disputa. Cada eleitor poderá escolher dois senadores. Antes de votar, o brasileiro deve perguntar a cada candidato: terá coragem para cumprir a Constituição ou também se curvará diante do Supremo?
Quando o Senado se acovarda, o equilíbrio da República fica ameaçado. E quando as instituições não oferecem respostas, cabe ao povo dá-las nas urnas.