Por Roberto Rivelino
No Brasil o carnaval é uma festa extremamente cultural, popular e diversa, todavia na última década questões relacionadas a Moral e até mesmo a ética causaram polemicas e desgastes nesta festa de caráter tão popular. Mas o que mudou? O carnaval de marchinhas caiu no esquecimento? Aquele carnaval das saudosas marchinhas, o carnaval da avenida que trazia aprendizado e conhecimento de novos aspectos culturais e culturas mudou o enfoque, ou se tornou mais ativista.
“Carnival” de origem do latim carne vale ou carne levare, ou festa da carne, no Brasil é quase uma religião, devido o massivo engajamento da população, principalmente no Eixo Rio/São Paulo, por ter mais visibilidade televisiva acaba se tornando a grande vitrine do País, apesar de existirem outras manifestações carnavalescas por esse Brasil a fora, como também as Bandas, Blocos, e o carnaval do Nordeste com seus trios elétricos que arrastam milhões de foliões, o carnaval enquanto vitrine tem investido em temáticas muito caras ao cidadão Brasileiro.
Questões relacionadas a devoção popular, aos aspectos religiosos, principalmente a religião predominante do Brasileiro, o Cristianismo, em suas duas vertentes doutrinarias, a Católica e a Protestante, que por hábito tem sido apresentada com seguimento Evangélico. Ambas, tem sido extremamente atacadas em seus princípios e valores, o povo Brasileiro é na sua grande maioria conservador por conta da forte influência religiosa. Logo, quando as temáticas carnavalescas, começam a flertar com símbolos e elementos do cristianismo, a polémica está instaurada. Que carnaval foi esse ?…
Diante deste cenário, relativizar ou empobrecer valores relacionadas a Família, é um grande perigo, principalmente quando essa seta está plenamente revestida de um viés político partidário. Ficou claro neste ano que a política entrou com dois pés, no peito do povo Brasileiro – desacreditada como está a política – essas tentativas de criar um canal de comunicação, emprestando o veículo do carnaval me parece que não funcionará.
Esperamos que esse debate possa caminhar para um desfecho, onde o enfoque carnavalesco se detenha – a sua razão principal de ser – que é trazer entretenimento, sem obviamente, buscar ridicularizar e espezinhar valores consagrados na sociedade. Lembremos que o Sagrado e profano possuem uma linha tênue, frágil, porém bem definida. Dito isso, é importante que certos limites sejam mantidos para que a harmonia e a convivência enquanto sociedade não possa sofrer uma ruptura e assim causar sérios danos a realidade social.